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Biblioteca / Ametista

Ametista

A variedade violeta do quartzo

Quartzo colorido por ferro e irradiação natural, do lilás claro ao violeta profundo. Foi gema de realeza até o século XIX, quando os depósitos brasileiros e uruguaios inundaram o mercado, um caso didático de como oferta define preço em gemologia.

Hábito cristalino: Trigonal
Hábito cristalinoTrigonal
Dureza Mohs7
Acima de 7, resiste à poeira do dia a dia, que é quartzo. Serve para anel de uso contínuo.

Propriedades técnicas

Espécie
Quartzo
Composição química
SiO₂Dióxido de silício
Densidade
2,65 g/cm³
Índice de refração
1,544 a 1,553
Birrefringência
0,009
Cor
Violeta claro a intenso, por Fe³⁺ e irradiação natural
Brilho
Vítreo
Clivagem
Ausente
Fratura
Conchoidal
Transparência
Transparente a translúcida
Pleocroísmo
Fraco a distinto, violeta e violeta avermelhado
Expectativa de pureza
  1. Tipo ILimpa a olho nu
  2. Tipo IIAlgumas inclusões
  3. Tipo IIIQuase sempre incluída

Material comercial é limpo a olho nu. Ametista com inclusão visível tem pouco valor no mercado de joia.

Categoria de mercado da espécie, não a pedra à venda, o que cada peça tem está na ficha dela.

Origens

Origem com prêmio de mercadoProdução corrente

Brasilprêmio de mercado

Rio Grande do Sul (Ametista do Sul), Bahia, Minas Gerais, Pará

Maior produtor mundial. Os geodos basálticos do Rio Grande do Sul são a fonte de volume que sustenta o mercado global.

Uruguaiprêmio de mercado

Artigas

Material de saturação notavelmente profunda, com tom mais escuro que o brasileiro. Costuma comandar prêmio.

Zâmbia

Kariba

Violeta com componente azulado, muito valorizado em pedras calibradas.

Bolívia

Anahí

Origem da ametrina, cristal que combina zonas de ametista e citrino na mesma pedra.

Na bancada

  1. Uso diárioAliança e anel de uso contínuo
  2. Com proteçãoPede bisel, aro alto ou galeria
  3. DelicadaBrinco, pingente e ocasião
Solda, ultrassom, vapor e cravação5 pontos
  • Ultrassom geralmente seguro em pedra limpa e sem fraturas, mas inspecione antes.
  • Evite calor forte. A partir de cerca de 300 a 400 °C a cor desbota ou vira amarelo, de forma irreversível.
  • Retire para soldar. Este é o erro mais comum com ametista: a pedra volta amarela do maçarico.
  • Exposição prolongada ao sol desbota material de origem irradiada. Vale o aviso ao cliente final.
  • Sem clivagem e com dureza 7, aceita uso diário bem, inclusive em anel.

Antes de fechar a compra

O que olhar da ametista antes de pagar, e o que exigir por escrito.

A checagem, ponto a ponto5 itens
  • Incline cada pedra procurando faixas incolores. Zoneamento é o defeito dominante nesta gema.
  • O tom mais valorizado é o violeta médio a escuro com secundário levemente avermelhado, o chamado Siberian, hoje um nome de tom, não de origem.
  • Cuidado com pedra escura demais: fecha sob luz baixa e perde brilho na joia.
  • Para calibrado, compre do mesmo lote e do mesmo garimpo. Uruguai e Brasil não casam bem lado a lado.
  • Confira se não é ametista sintética, comum em tamanhos grandes e muito barata. Um laboratório resolve em minutos.

Tratamentos

Tratamento não é defeito, mas muda o preço. Peça por escrito.

AquecimentoFrequência: Comum

Aquecimento clareia material escuro demais. Acima de 400 °C, a ametista converte para amarelo, é assim que se produz a maior parte do citrino comercial.

IrradiaçãoFrequência: Ocasional

Usada para restaurar ou intensificar o violeta em material pálido. Estável, mas deve ser declarada.

História e mercado2 capítulos

De gema de rei a gema de catálogo

Até o início do século XIX, a ametista figurava ao lado de esmeralda, rubi e safira entre as gemas cardeais. Coroas europeias a usavam como pedra de estado, e o preço acompanhava a raridade.

A descoberta dos depósitos brasileiros mudou tudo. Geodos de basalto no sul do Brasil e no Uruguai revelaram material de qualidade em quantidade que nenhuma fonte anterior chegava perto de oferecer. Em poucas décadas, a ametista deixou de ser rara.

O episódio é frequentemente citado em gemologia como demonstração de que valor não deriva da beleza, e sim da relação entre demanda e disponibilidade. A pedra continua a mesma.

Zoneamento de cor

Ametista quase sempre cresce com a cor concentrada em faixas ou nas pontas do cristal. Esse zoneamento é o principal desafio da lapidação: uma pedra pode parecer uniforme de frente e mostrar faixas incolores quando inclinada.

Lapidários compensam orientando a mesa de forma a espalhar a cor, e usando pavilhões mais profundos para acumular saturação. É por isso que ametista de boa cor costuma ser mais alta que outras gemas de mesmo diâmetro.

Ao comprar em lote, incline cada peça. Zoneamento invisível de frente aparece na joia montada, sobretudo em cravação que exponha a lateral da pedra.

Joias com esta gema

1 peça montada, cada uma uma vez só.

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